Indicadores ajudam a controlar a aparência, a uniformidade e o desempenho visual do papel WTL, produzido pela Paraibuna Embalagens a partir de matéria-prima reciclada
Quando se fala em qualidade do papel, características como alvura e brancura podem parecer sinônimos, mas representam medições diferentes e complementares. No papel WTL (White Top Liner), da Paraibuna Embalagens, esses indicadores fazem parte de um sistema de controle que acompanha o produto desde a seleção das matérias-primas até a inspeção das bobinas prontas.
As duas medições são realizadas em espectrofotômetro, equipamento que avalia a forma como o papel reflete a luz. Na Paraibuna Embalagens, os ensaios seguem normas técnicas da ABNT e da TAPPI, referências internacionais para a indústria papeleira. O controle de alvura e brancura é um trabalho contínuo por maior uniformidade e consistência do papel WTL, explica o coordenador de Qualidade, André Domingues.
A alvura está relacionada à capacidade do papel de refletir a luz azul em uma faixa específica do espectro e está associado à pureza da celulose e ao controle do processo produtivo. O acompanhamento começa na chegada da matéria-prima, continua durante a fabricação e chega à etapa final de produção da bobina.
Já a brancura considera a reflexão em todo o espectro da luz visível. O indicador está, portanto, mais diretamente ligado à percepção visual da cor do papel: o quanto ele aparenta ser branco, limpo e uniforme. Essa característica ganha importância especialmente em aplicações nas quais a apresentação da embalagem e a qualidade da impressão são elementos de diferenciação.
Na embalagem cada detalhe como o níquel, o azul e a brancura fazem toda a diferença”, afirma André. “A busca pela estabilidade da cor depende da combinação entre tecnologia, processos, pessoas e equipamentos de controle de qualidade
André Domingues, coordenador de Controle de Qualidade
O controle desses atributos ganha relevância no WTL, papel duplex composto por uma cobertura branca e uma base parda. A camada superior é produzida com celulose branqueada e aparas brancas, enquanto a base utiliza fibras recicladas. O produto é direcionado à fabricação de embalagens diferenciadas e oferece, entre outras características, alta resistência mecânica, qualidade de impressão e padrão de alvura.
A camada superior do WTL utiliza entre 35% e 40% de fibra virgem e entre 60% e 65% de aparas brancas Tipo 1, enquanto a base é formada por fibras recicladas de papelão ondulado. O processo também se vale da tecnologia Size Press, com aplicação de amido superficial, que contribui para resistência, printabilidade e uniformidade da superfície.
A qualidade visual, porém, é apenas uma parte do desempenho avaliado, observa André. O laboratório da Paraibuna também realiza ensaios como SCT, que verifica a resistência à compressão do papel, e Ply Bond, que avalia a adesão entre as camadas. Equipamentos adquiridos e melhorias realizadas no controle de processo contribuem para o desenvolvimento de novas propriedades físicas do WTL.
No campo específico da aparência, a empresa utiliza a análise de cor pelo modelo CIELAB, realizada em espectrofotômetro segundo as normas ABNT NBR ISO 11664-4 e TAPPI T 527. Esses controles ajudam a manter a consistência da tonalidade e a reduzir variações entre lotes.
Assim, alvura e brancura deixam de ser apenas conceitos técnicos de laboratório. No WTL, os dois indicadores fazem parte de uma cadeia que reúne seleção de matérias-primas, controle de processo, tecnologia, testes físicos, impressão, percepção visual e sustentabilidade. O resultado é um papel reciclado desenvolvido para combinar aparência, desempenho e consistência — atributos que chegam ao consumidor final por meio da embalagem.
O investimento em controle e desenvolvimento do WTL vem sendo acompanhado pelo mercado. Pesquisa realizada pelo Instituto PHD, em 2024, apontou que 95,8% dos clientes da Paraibuna Embalagens consideram o WTL um produto de qualidade. Segundo a empresa, a evolução do papel foi construída ao longo de mais de uma década a partir de investimentos, pesquisa, melhoria contínua e interação com fornecedores e clientes.
Esse processo também está associado a investimentos recentes em gestão da qualidade. Em julho deste ano, a Paraibuna concluiu a auditoria de recertificação da ISO 9001, que avalia práticas, processos e controles do Sistema de Gestão da Qualidade e reforça a busca pela padronização, monitoramento de resultados e melhoria contínua.
A modernização industrial acompanha esse movimento. Uma nova rebobinadeira entrou em operação, na unidade de Juiz de Fora, em junho deste ano. O equipamento foi projetado para ampliar produtividade, precisão de corte e padronização dimensional, além de elevar a qualidade do acabamento.